Embora o cenário macroeconômico tenha imposto um ritmo mais conservador aos produtores rurais, a feira provou ser um motor insubstituível para o desenvolvimento regional, a difusão de tecnologias e a capacitação no campo.
Impacto Direto na Economia de Rio Verde
Se os negócios dentro da feira refletiram a cautela do setor agropecuário — com uma redução de aproximadamente 30% no volume de vendas de máquinas e equipamentos em relação aos anos anteriores —, o impacto fora dos portões do evento foi motivo de comemoração para o município.
O fluxo intenso de visitantes transformou a rotina da cidade, gerando um retorno financeiro imediato para diversos setores. Os números oficiais reforçam o peso do evento para o comércio e os serviços locais:
- Movimentação Financeira: Injeção de aproximadamente R$ 90 milhões na economia do município.
- Hotelaria: Lotação máxima, com 100% de ocupação na rede hoteleira.
- Arrecadação Municipal: Crescimento de 8,5% nos impostos recolhidos no período.
- Logística e Transporte: O Aeroporto de Rio Verde registrou um pico de movimentação, operando 128 voos durante a feira.
Cautela, Resiliência e Foco em Inovação
O presidente do Conselho de Administração da COMIGO, Antônio Chavaglia, e o coordenador-geral da feira, Claudio Teoro, destacaram que a queda nas vendas já era esperada. O aumento dos custos de produção e a atual paridade de troca forçaram o produtor a ter um planejamento financeiro mais rigoroso.
Ainda assim, a feira cumpriu seu papel com excelência. Os 710 expositores, espalhados por um complexo de 65 hectares, focaram em oferecer as melhores condições de negociação possíveis. Mais do que comprar, o produtor rural demonstrou resiliência ao buscar conhecimento para otimizar suas safras.
A estrutura impressionou: além da exposição de mais de 500 animais e vastas áreas de demonstração agrícola, o evento entregou mais de 200 horas de palestras e conteúdos técnicos, atraindo cerca de 8,4 mil ouvintes.
Inteligência Artificial e a Força da Mulher no Agro
Dois temas ganharam forte destaque nas discussões técnicas deste ano. O primeiro foi a aplicação prática da Inteligência Artificial nas lavouras. Especialistas apontaram que a IA já atua como uma consultoria em tempo integral, ajudando a estancar perdas financeiras e a melhorar a precisão da gestão rural.
O segundo ponto de destaque foi a crescente e fundamental participação feminina no setor. Dados compartilhados na feira revelam que as mulheres já ocupam 30% dos postos de trabalho no agronegócio, um número que tende a crescer rapidamente graças à forte profissionalização e à implementação de novas tecnologias de gestão no campo.
Com o encerramento positivo, o olhar do setor agora se volta para a preparação tecnológica e financeira visando a Tecnoshow de 2027.